CAMPP (obviamente) recomenda: O Agente Secreto
Em 24 de março de 2026 por CAMPP Recomenda.

Por: Abraão Aguilera
Entregue a nós em lindos retalhos, as memórias de um Brasil antigo (e também antiquado) operam sobre nós sentimentos desconhecidos e estridentes. As nuances da repressão do regime militar são enquadradas em “O Agente Secreto” de forma multifacetada: a violência corporativa dos Ghirotti; a repressão policial e seu cínico conluio com a imprensa local que dá vida à perna cabeluda; a negação da própria identidade. Condensadas no olhar distante de Armando Solimões, brilhantemente interpretado por Wagner Moura, tais nuances fazem com que o longa-metragem emane resistência ao apagamento da história, questionada e distorcida em nossos dias.
Pedindo escusas ao distanciamento que textos dessa seção exigem — que não é tamanha, já que foi eu quem a elaborou —, listo alguns de meus encantamentos: o cameo da música de Waldik Soriano, Dona Sebastiana (e aqui não sinto necessidade de justificar o peso dessa personagem e das tantas brasileiras que replica), o cinema São Luiz e, por questões similares às que me permitem escrever esse texto, a profissão de Armando. Com os justos pesos que cada período (ou regime) merece, ser cientista é ainda hoje desafiador. Entendi, ainda na sala de cinema, que havia uma mensagem implícita naquele enredo: o buraco é mais embaixo nas carreiras que remam contra a maré.
Escrevendo esse texto na iminência do Oscars 2026 — o que tira, em partes, a suspeição de que sou um mero adulador —, sinto-me parte de um movimento de reconhecimento daquilo que é nosso, brasileiro: notado felizmente lá fora, e, mais felizmente ainda, aqui dentro. O sucesso de bilheteria, as premiações, os cortes das entrevistas do elenco nas redes sociais, as matérias caça-cliques sobre o filme, enfim, chega de listas! Me desculpem pela empolgação! Assista: sinta a tristeza brasileira, a felicidade brasileira, sinta-se um brasileiro por inteiro, pois é ano de copa!