BoJack Horseman: o retorno para Hollywood
Em 09 de julho por CAMPP Recomenda.

Por: Antony Silva.
Em um mundo onde animais e humanos convivem sem diferenças, a série nos leva a uma Hollywood caótica em que os personagens lidam com problemas existenciais, relacionamentos conturbados e conflitos pessoais. Ao acompanhar a série, nos pegamos assistindo a um cavalo-artista com características humanas e uma personalidade pouco convidativa.
Inicialmente, a série nos entrega o personagem principal e detalha traços da sua vida. BoJack é uma celebridade que atuou como personagem principal em uma sitcom chamada Horsin’ Around durante a década de 1990. Hoje, o que lhe resta é viver da nostalgia dos tempos de glória e do dinheiro dessa época. Por mais que ele tenha tido essa ascensão, a queda foi ainda maior. No presente da série, BoJack vive preso ao passado e ao que um dia foi, enquanto revela uma personalidade complexa. Essa profundidade não se limita ao protagonista, já que os coadjuvantes também apresentam grande desenvolvimento.
Engana-se quem, à primeira vista, julga a obra por ser uma animação e acredita que ela deveria ser infantil e sem profundidade. A série entrega justamente o oposto dessa premissa. O personagem principal é um indivíduo que, ao primeiro contato, dificilmente desperta simpatia no telespectador. BoJack é um adulto que preenche o vazio da sua existência com prazeres imediatos, álcool e drogas. O protagonista é narcisista, arrogante e antipático. Você me pergunta: por que, então, assistir a um cavalo ranzinza e chato?
A resposta é simples: mesmo que a realidade dos personagens seja absurda, como um cavalo astro de Hollywood, uma gata rosa que dá a vida por seu trabalho, ou um labrador amarelo chamado Mr. Peanutbutter, que provavelmente é o indivíduo mais feliz da série, a obra consegue torná-los humanos e fáceis de se identificar. Além disso, explora aspectos da vida desses personagens que fazem com que o telespectador crie um vínculo com cada um. BoJack Horseman é uma série que trabalha muito bem o humor ácido com a relação do indivíduo e sua existência em um mundo sem um sentido pré-definido.
No entanto, cada personagem tenta lidar com a vida de formas diferentes. Todd, amigo e companheiro de casa de BoJack, busca preencher o vazio existencial com pequenas metas e experiências. Diane, escritora e amiga do personagem principal, procura um sentido para a vida enquanto lida com suas próprias confusões. Até mesmo o personagem Mr. Peanutbutter apresenta, em certos momentos, seus problemas pessoais. Logo, BoJack transforma seu vazio em autosabotagem, afastando amigos e pessoas com quem convive.
Ainda assim, a série consegue trazer de forma sutil uma reflexão sobre a existência do indivíduo no mundo, críticas em relação à sociedade e à indústria do entretenimento, junto a uma Hollywood bem caricata. Entre tudo isso, BoJack Horseman cativa principalmente por combinar tão bem o humor com a profundidade e complexidade dos personagens, gerando uma identificação com o telespectador. Você sente raiva e empatia pelos personagens. Em resumo, criamos uma conexão com todos eles, pois eles sentem algo que nós, humanos, decidimos chamar de emoções.