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Centro de Análise e Monitoramento de Políticas Públicas

A Virada do gov.br: como o Instagram do governo mudou o jogo nos últimos 6 meses

A virada do gov.br: como o Instagram do governo mudou o jogo nos últimos 6 meses Fonte: GovBr Por: Giulia Ribeiro, Gabriel Boscardim de Moraes O governo brasileiro adotou uma nova estratégia comunicacional nas redes digitais que tem trazido mais resultados. Entenda o que mudou. Historicamente, a esquerda brasileira sempre carregou uma desvantagem estratégica no ambiente digital. Enquanto isso, a direita consolidou uma presença estruturada nas redes, baseada em comunidades orgânicas e na produção de conteúdo viral emocionalmente orientado, com alta capacidade de mobilização (ITUASSU et al., 2024). Em contraste, os populismo de esquerda no Brasil e na Espanha, tende a operar com modelos comunicacionais mais horizontais, comunitários e menos voltados à lógica da viralização, o que gerou desvantagem competitiva em plataformas como Instagram e Facebook (Rico, Sá e Dourado, 2020). Essa assimetria tornou-se evidente a partir de 2013 e se consolidou durante o bolsonarismo, período em que as redes sociais se transformaram no principal palco de mobilização política da direita. No campo institucional, análises jornalísticas reforçam essa percepção. Como aponta o Metrópoles (2025), apesar do grande número de canais digitais, a comunicação do governo federal ainda não alcançava parcela significativa da população que dependia de informações oficiais. Tal diagnóstico reforçava a necessidade de avaliar as mudanças recentes na estratégia comunicacional do gov.br. A mudança observada nos últimos meses, no entanto, envolve não apenas elementos estilísticos, mas também estruturais. Entre maio e novembro, o gov.br intensificou investimentos em tráfego pago, ampliou o volume de publicações e ajustou sua comunicação a temas de alta circulação pública, como a nova faixa de isenção do IRPF, debates sobre políticas econômicas e repercussões internacionais decorrentes de declarações de Donald Trump. O resultado foi um crescimento expressivo de alcance, engajamento e visibilidade, sugerindo um reposicionamento discursivo relevante na disputa por narrativas no ambiente digital. Passando aos dados quantitativos, o crescimento do perfil do gov.br no Instagram é particularmente significativo. No período entre 1º de maio e 1º de novembro, o perfil conquistou mais de 1,19 milhão de seguidores, publicou mais de 806 posts, acumulou 20 milhões de curtidas, ultrapassou 1 milhão de comentários e registrou uma média de 2,529 milhões de visualizações por Reel. Esses números apontam para uma estratégia de comunicação intensiva e orientada a desempenho. Além disso, dados da Biblioteca de Anúncios da Meta revelam uma ampliação expressiva no investimento em mídia paga. Enquanto em 2024 foram gastos aproximadamente R$ 4 milhões, em 2025 os valores alcançaram R$ 31 milhões. Esse aumento de 675% reforça a hipótese de que a mudança comunicacional não é apenas estética, mas estrutural, indicando a adoção de práticas profissionais e competitivas no ecossistema das redes sociais. As 5 maiores publicações por engajamento do período de maio a novembro de 2025 A análise das cinco publicações de maior desempenho no período revela padrões claros na estratégia comunicacional do gov.br. O post 1 alcançou 475,8 mil curtidas, 15,3 mil comentários, utilizando a representação de cachorrinhos para explicar conceitos de justiça social. A escolha por animais fofos, um  formato eficaz para retenção de atenção, contribuiu para maximizar o impacto de um tema que, em condições normais, apresenta menor propensão à viralização. O post 2  obteve 414,1 mil curtidas, 26,3 mil comentários, posicionando-se como o conteúdo com maior volume conversacional entre os cinco e também o único a ser estático.  Seu foco em soberania nacional, em meio às tensões políticas produzidas por declarações de Donald Trump, indica que temas geopolíticos, quando associados a linguagem acessível, tendem a estimular participação emocional e debate público. O post 3 registrou 428 mil curtidas, 14 mil comentários, novamente utilizando animais como recurso narrativo para traduzir questões complexas relacionadas à soberania. Esse formato evidencia a capacidade dos conteúdos lúdicos de funcionarem como ponte entre políticas públicas e o repertório cotidiano dos usuários. No post 4, com 477 mil curtidas, 10,7 mil comentários, o tema central foi o incômodo gerado pelo PIX no presidente Donald Trump, articulado por meio de linguagem informal e humor leve. O conteúdo demonstra que temas ligados à economia cotidiana continuam funcionando como motores de engajamento. Por fim, o post 5 apresentou o maior número bruto de curtidas 522 mil além de 13,54 mil comentários. O vídeo utiliza gatinhos para explicar propostas de alteração no Imposto de Renda, reafirmando a eficácia de elementos de “fofura” como dispositivos de simplificação cognitiva e ampliação de alcance. Logo, dos cinco posts de maior engajamento, três recorrem a animais fofos como estratégia central para abordar temas da política nacional. Nos outros dois, predominam memes e uma linguagem descontraída, capazes de traduzir questões complexas em mensagens simples e acessíveis. Esse conjunto de práticas revela que o perfil institucional do Governo Federal tem ajustado sua comunicação ao estilo das redes sociais, que opera segundo a lógica da economia da atenção (BENTES, 2021) – na qual a viralização depende de conteúdos que capturem o interesse do público já no primeiro contato, em uma competição de diferentes estímulos perante a escassez de atenção. A transformação do gov.br no Instagram entre maio e novembro de 2025 evidencia uma virada significativa na comunicação institucional brasileira. Há indícios claros de profissionalização, maior investimento, adoção de linguagem popular e alinhamento às exigências algorítmicas das plataformas. Do ponto de vista teórico, essa mudança dialoga diretamente com a literatura que discute a histórica assimetria digital entre direita e esquerda. Estudos apontam que a direita consolidou, ao longo da última década, uma vantagem competitiva baseada em estratégias altamente performáticas de comunicação, enquanto a esquerda enfrentou dificuldades estruturais em ambientes comunicativos de alta intensidade. Os resultados apresentados ao longo do trabalho sugerem que o gov.br começa a reduzir essa distância, incorporando elementos centrais da lógica das redes contemporâneas. Assim, a virada observada não representa apenas uma mudança estética ou pontual, mas a incorporação efetiva de competências comunicacionais decisivas em um ecossistema político cada vez mais mediado por plataformas digitais, métricas de desempenho e disputa contínua por atenção. A experiência recente do gov.br indica um reposicionamento institucional estratégico, com potencial para redefinir a presença do Estado na esfera pública digital

O cessar-fogo entre Israel e o Hamas, e a estratégia de Trump

O cessar-fogo entre Israel e o Hamas, e a estratégia de Trump Foto: fotospublicas.com Por: Bruna Drudi Lacerda No dia 29 de setembro de 2025, a Casa Branca publicou um plano proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interromper a guerra em Gaza . Composto por 20 pontos, o plano sugere um cessar-fogo como acordo de paz entre Israel e o grupo Hamas. Contudo, o que parece ser uma manifestação de preocupação por parte do governo americano, pode não passar de estratégia de marketing político do presidente.  O conflito entre Palestina e Israel é uma disputa político-religiosa que vem sendo travada desde o século XIX, com diversas tentativas de acordos de conciliação entre os representantes das respectivas nações. Essa guerra ganhou maior destaque da mídia após o ataque do Hamas a Israel, gerando cerca de 1.200 vítimas israelenses, o que foi prontamente respondido pelas Forças de Defesa Israelenses, dando continuidade a uma série de ataques contra a população palestina, principalmente na cidade de Gaza. Estima-se que mais de 67 mil palestinos foram mortos com o desenrolar do conflito (Agência Brasil, 2025). Governos do mundo todo se solidarizaram com a situação em Gaza, apoiando um cessar-fogo definitivo e pedindo uma resolução concreta para a situação. O governo americano, principal aliado de Israel, representado pelo presidente Donald Trump, tomou as rédeas da negociação e propôs, em setembro de 2025, um plano composto por 20 pontos que tanto Israel quanto o Hamas deveriam cumprir para que houvesse um acordo de paz.  O acordo foi assinado por Trump, sem a presença de representantes do Hamas e de Israel, em cúpula realizada no Egito, juntamente com representantes do Catar e da Turquia. A iniciativa do governo americano foi amplamente divulgada e discutida em todos os veículos de informação e plataformas digitais, dando a entender que a ação de Trump em pressionar seu aliado para aceitar o acordo seja memorável e digna de um Nobel da Paz. Contudo, Trump viabilizou estrategicamente um acordo que já vem sendo proposto antes mesmo de ele assumir a presidência, utilizando seu lema de negociador para propagar e reafirmar sua imagem como líder da principal potência mundial.  As ações de Trump perante o conflito em Gaza não possuem nenhum viés de preocupação com as vidas sendo perdidas, muito menos de concretizar um possível acordo de paz. Conforme relatado pelo professor do departamento de política da PUC-SP, Reginaldo Nasser, a ideia de cessar-fogo proposta por Trump difere-se, e muito, de um acordo que proponha uma condição de justiça e direitos, e que estabeleça um território e reconhecimento internacional definitivo para o Estado da Palestina, que é a raiz do conflito (UOL, 2025).   O presidente dos Estados Unidos, ao tomar as rédeas dessa conciliação, busca tão somente apoio internacional e reconhecimento de seu soft power por meio de estratégias argumentativas, que são divulgadas facilmente através de postagens nas redes sociais, as quais viralizam e fazem com que ele ganhe apoio ao redor do mundo . Porém, pensar que o acordo proposto é um sinal de que finalmente o conflito entre Israel e Palestina irá ter fim é um grande equívoco. Trump, inclusive, vem  apresentando uma reinterpretação do Oriente Médio, propondo transformar Gaza em uma Riviera. Em vídeo feito com inteligência artificial divulgado por ele mesmo em suas redes, o território é ilustrado como um destino turístico de luxo, sendo retratado com prédios modernos, ilhas artificiais, e com uma estátua do presidente, feita de ouro, em destaque. Com essa ação, Trump propõe reimaginar o território seguindo uma estratégia argumentativa baseada no orientalismo (Said, 1978), ou seja, quando afirma que, com sua interferência, o lugar finalmente seria considerado digno de ser visto, Trump reforça estereótipos criados do oriente como um lugar exótico, atrasado e perigoso, em contraste com a imagem ocidental de progresso.  Dessa forma, embora a iniciativa de Donald Trump tenha sido apresentada como um passo importante para o fim do conflito entre Israel e Palestina, é importante entender que o acordo não será o ponto final, e muito menos que o presidente deve ser reconhecido como o responsável pela paz em Gaza. Deve-se, mais do que nunca, filtrar os discursos desse representante político , entendendo que por trás de grandes atitudes, estão intenções estratégicas que visam empoderar sua imagem como líder.  Bibliografia AFP. Os 20 pontos do plano de Trump para a paz em Gaza. UOL Notícias, 29 set. 2025. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2025/09/29/os-20-pontos-do-plano-de-trump-para-a-paz-em-gaza.htm. Acesso em: 05 nov. 2025. AGÊNCIA BRASIL. Ataque do Hamas contra Israel completa um ano; Gaza vive pesadelo. Agência Brasil, Brasília, 7 out. 2024. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2024-10/ataque-do-hamas-contra-israel-completa-um-ano-gaza-vive-pesadelo. Acesso em: 05 nov. 2025.  BOWEN, Jeremy. Cessar-fogo em Gaza: ação de Trump foi decisiva para acordo, mas ainda está longe de garantir processo de paz. BBC Brasil, 15 out. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cm2wyw17nl3o. Acesso em: 05 nov. 2025. CNN Brasil. Após ataques de Israel, Trump diz que cessar-fogo em Gaza não corre risco. CNN Brasil, 29 out. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/apos-ataques-de-israel-trump-diz-que-cessar-fogo-em-gaza-nao-corre-risco/. Acesso em: 05 nov. 2025. CNN Brasil. Plano de paz com 21 pontos anima Trump sobre fim da guerra em Gaza. CNN Brasil, 27 set. 2025, 11:26. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/plano-de-paz-com-21-pontos-anima-trump-sobre-fim-da-guerra-em-gaza/. Acesso em: 05 nov. 2025. COUTINHO, Leonardo. Plano de paz: a solução para Gaza seria virar um resort? Gazeta do Povo, 02 out. 2025, 13:57. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/leonardo-coutinho/plano-de-paz-a-solucao-para-gaza-seria-virar-um-resort/. Acesso em: 05 nov. 2025.  FARIA, Adriano. Acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas é assinado por Donald Trump no Egito. Rádio Senado – Conexão Senado, 14 out. 2025. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/radio/1/conexao-senado/2025/10/14/acordo-de-cessar-fogo-entre-israel-e-hamas-e-assinado-por-donald-trump-no-egito. Acesso em: 05 nov. 2025. JARAMILLO, Alejandra. Casa Branca divulga “Acordo de Paz Trump” assinado em cúpula no Egito. CNN Brasil, 13 out. 2025. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/casa-branca-divulga-acordo-de-paz-trump-assinado-em-cupula-no-egito/. Acesso em: 05 nov. 2025. MOITA, Sandro Teixeira. O acordo de paz entre Israel e o Hamas. Observatório Militar da Praia Vermelha (OMPV), 22 out. 2025. Disponível em: https://ompv.eceme.eb.mil.br/conflitos-belicos-e-terrorismo/conflito-israel-x-hamas/801-o-acordo-de-paz-entre-israel-e-o-hamas. Acesso em: 05 nov. 2025. NASSER, Reginaldo. Cessar-fogo não é paz, diz Reginaldo Nasser sobre Gaza. UOL Notícias, 10 out. 2025. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/10/10/cessar-fogo-nao-e-paz-diz-reginaldo-nasser-sobre-gaza.htm. Acesso em: 05 nov. 2025. TOKARNIA, Mariana. Guerra na Faixa

Impacto das redes sociais nas Políticas Públicas: estudo de caso Felca

Impacto das redes sociais nas Políticas Públicas: estudo de caso Felca foto: revistaquem.globo.com Por: Isabella Werneck Zanon  e Paulo Vitor Nascimento dos Santos Entenda como o vídeo do Youtuber Felipe Bressanim repercutiu no debate público online e como a partir disso surgiu uma lei. A manhã do dia 06 de agosto de 2025 começou incômoda. Foi neste dia que nas redes sociais não se falava em outra coisa: Adultização. Palavra que ganhou a boca e as redes do povo brasileiro devido a um vídeo homônimo publicado por Felipe “Felca” Bressanim Pereira, youtuber brasileiro que em cerca de 50 minutos de vídeo destrincha o cenário de vulnerabilidade que se encontram menores de idade nas redes sociais.  Em formato informativo e em objetivo de denúncia, o criador de conteúdo para internet inicia seu vídeo com exemplos leves de adultização e no decorrer evidencia de forma simulada como agem os predadores sexuais infantis e seus códigos para compra e venda de material pornográfico ilícito. Ainda, o autor do vídeo traz como base uma especialista em infância, adolescência e parentalidade, Andressa Chamat, para explicar à população os impactos da exposição precoce e não supervisionada à internet, como o prejudicamento do discernimento entre público e privado ao longo do seu desenvolvimento desencadeando dezenas de problemas na formação do indivíduo (Felca, 2025).  O tema de adultização, logo, abuso infantil, acendeu um alerta na populção e ganhou ainda mais projeção quando Felca surgiu na maior emissora de TV do país, no principal veículo de imprensa dominical, “Fantástico”, na mesma semana de publicação do vídeo. Até o momento da publicação deste texto, o vídeo conta com pouco mais de 50 milhões de visualizações e fura a bolha de público, atingindo todas as faixas etárias e diferentes espectros políticos. O Relatório nº 103 do Monitor do Debate Público (MDP/LEMEP), que analisou a percepção da sociedade sobre o vídeo “Adultização” de Felca, revelou um consenso entre os diferentes grupos políticos monitorados em relação à atribuição de responsabilidade pela exploração e adultização infantil nas redes sociais. A opinião pública tendeu a identificar os pais e responsáveis como os principais culpados pelo fenômeno, sendo vistos como negligentes ou, em alguns casos, coniventes com a exposição dos filhos. Essa visão foi dominante em todos os segmentos analisados, incluindo Bolsonaristas Convictos, Bolsonaristas Moderados, Eleitores Flutuantes, Lulodescontentes, Lulistas e o grupo virtual de evangélicos (LEMEP, 2025). Embora a responsabilidade inicial pelo caso recaísse sobre os pais, grupos como os Lulodescontentes e os Lulistas ampliaram o debate ao defender que a proteção infantil exige uma ação compartilhada entre famílias, plataformas digitais e governo, especialmente por meio de fiscalização e de leis mais rígidas. Paralelamente, o relatório identificou uma mobilização rápida de figuras da direita e da extrema-direita que buscaram politizar a denúncia de Felca, interpretando-a como uma estratégia da esquerda para justificar a regulamentação das redes sociais, vista por esses setores como ameaça à liberdade de expressão. Nesse movimento, essa vertente passou a acusar o governo e a esquerda de hipocrisia, defendendo que a proteção infantil é responsabilidade exclusiva da família e não deve envolver controle estatal (LEMEP, 2025). A denúncia de Felca é a prova viva de como a internet, que muitas vezes é vista como um espaço superficial, pode ser o epicentro de mudanças sociais e políticas reais, e tudo começou com um vídeo, que decidiu usar o canal do Youtube não para uma trend boba, mas para expor um problema seríssimo que estava acontecendo bem debaixo dos nossos narizes, a chamada “adultização” de crianças em plataformas como o TikTok. O vídeo dele foi uma explosão, e não foi só sobre apontar o dedo, foi sobre questionar o sistema de funcionamento das plataformas, sobre como os algoritmos e a busca incessante por engajamento estavam incentivando a exposição de menores em situações e com roupas sugestivas, simulando comportamentos de adultos de uma forma claramente sexualizada, e essa crítica ultrapassou  as barreiras da internet e se tornando, quase que da noite para o dia, a principal pauta de discussão pública no país. E o mais incrível é que essa discussão não ficou só nos trending topics, ela se converteu em ação cívica quase imediatamente, num fenômeno que a imprensa rapidamente apelidou de “Efeito Felca”, porque o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou um aumento surreal, de mais de 500%, no número de denúncias de exploração sexual infantil online recebidas pelo Disque 100 (APÓS FELCA…, 2025), provando que a sociedade estava assistindo e, mais importante, estava indignada o suficiente para agir. Essa indignação coletiva precisava de um foco, e ela rapidamente se direcionou para casos que já estavam no radar, mas que ganharam uma visibilidade imensa, como o do influenciador Hytalo Santos, que já era investigado pelo Ministério Público da Paraíba desde 2024 por suspeitas de explorar menores em seus conteúdos (ENTENDA O CASO…, 2025), mas foi a pressão gerada pelo debate nacional que transformou essa investigação em um caso emblemático da urgência do problema. A consequência dessa pressão foi drástica e culminou na prisão de Hytalo Santos e de seu marido em São Paulo em agosto de 2025, uma operação complexa que apurava crimes gravíssimos, incluindo tráfico humano e exploração sexual infantil (HYTALO SANTOS…, 2025), e essa ação do Judiciário foi um sinal claro de que a impunidade percebida nas redes sociais estava com os dias contados, mostrando que o debate online teve um peso real na aceleração de processos judiciais. Enquanto o Judiciário avançava, o Poder Legislativo em Brasília, frequentemente distante do ritmo da internet, foi pressionado a agir rapidamente, levando o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a prometer prioridade máxima para projetos relacionados ao tema (YOUTUBER VIRALIZA…, 2025). A pressão social resultou em uma onda de propostas legislativas, muitas apelidadas informalmente de “Lei Felca” no Congresso (DA INTERNET…, 2025), e até projetos que estavam parados, como o PL 785/25, que previa autorização judicial para que crianças atuassem como influenciadoras digitais, voltaram ao centro do debate (PROJETO TORNA…, 2025). Essa mobilização culminou na sanção da Lei nº 15.211, em 17

O Fim da Escala 6×1: A Força do Movimento “Vida Além do Trabalho”

O Fim da Escala 6×1: A Força do Movimento “Vida Além do Trabalho”  Foto: Davi Pinheiro/ Cartaz em manifestação do movimento Vida Além do Trabalho: pelo fim da escala 6×1  Ana Clara Luduvico, Gisele Kobayashi e Giulia Ribeiro A proposta de alteração da escala de trabalho 6×1 vem sendo debatida em mobilizações online e presenciais. No Brasil, é vista como um modelo insustentável, exploratório e causador de adoecimento da classe trabalhadora, embora seja legalmente amparada pela Constituição Federal. O debate ganhou significativa força nas mídias sociais através de relatos de exaustão e da falta de tempo para a vida pessoal, o que impulsionou uma luta coletiva com o impulsionamento de movimentos como o Vida Além do Trabalho (VAT), popularizado pelo influenciador Rick Azevedo. Essa mobilização digital resultou na apresentação de propostas de alteração legislativa, como a PEC 8/2025, de autoria da Deputada Federal Erika Hilton, que visa reduzir a jornada para 36 horas semanais, possibilitando a escala 4×3, e a PEC 231/1995, do Senador Paulo Paim, que propõe a redução para 40 horas semanais sem perda salarial. Constata-se um forte apoio popular ao fim da 6×1, com aprovação de grande parte dos brasileiros, unindo a sociedade em torno da causa, a qual a Deputada Erika Hilton ativamente promove nas redes sociais, rotulando a escala como “desumana” e obtendo grande visibilidade. Apesar disso, opositores, como o presidente da Câmara, levantam preocupações sobre as possíveis consequências negativas da medida para a economia e os empregadores. No entanto, o movimento reflete uma mudança de paradigma social, onde o bem-estar e o tempo de não-trabalho superam a centralidade do emprego. Em suma, a discussão sobre o fim da escala 6×1 evoluiu para uma pauta de dignidade e saúde pública, fortalecida pela conectividade social e pelo apoio político, demandando um regime de trabalho mais humano e digno no país. A escala de trabalho 6×1, caracterizada pela imposição de seis dias trabalhados e apenas um dia de descanso, é avaliada como um modelo insustentável no contexto brasileiro. Embora seja observada em diversos setores da economia, principalmente no comércio e em serviços, essa organização é percebida como um sistema que promove a superexploração e que está intrinsecamente ligado à precarização e ao adoecimento da classe trabalhadora. O debate sobre o fim dessa escala ganhou significativa visibilidade nas mídias sociais, onde se constata um volume de relatos que evidenciam a exaustão dos trabalhadores, bem como a falta de tempo para atividades essenciais, como o cuidado com a saúde, a qualificação profissional e o lazer. Tais discussões indicam uma transformação de uma pauta individual para uma luta coletiva, impulsionada, em parte, por movimentos como o Vida Além do Trabalho (VAT), que ganhou notoriedade após o relato do influenciador digital Rick Azevedo (atual vereador no Rio de Janeiro) no TikTok e rapidamente angariou milhões de apoiadores. Essa mobilização digital – “que utiliza processos personalizados e se organiza pelas tecnologias sociais” – se alinha à lógica da ação conectiva (connective action). Segundo Bennett e Segerberg (2012 apud Babo), essa ação é um modelo alternativo que surge quando os laços de grupos tradicionais – sindicatos e partidos – são substituídos por fluxos de larga escala nas mídias sociais. A Constituição Federal de 1988 permite a adoção da escala 6×1, uma vez que respeita o limite máximo de 44 horas semanais de trabalho. No entanto, a crescente discussão sobre sua inadequação gerou o desenvolvimento de propostas de alteração legislativa. Atualmente, a redução da jornada está formalizada por meio de duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC): a PEC 8/2025, de autoria da Deputada Federal Erika Hilton (PSOL-SP), a qual propõe a redução da jornada semanal para 36 horas, viabilizando a escala 4×3 (quatro dias de trabalho para três de descanso) e a PEC 231/1995, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), a qual propõe a criação de um Novo Código do Trabalho, com foco na redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário. A pesquisa da Nexus revelou que 67% dos conteúdos analisados nas redes sociais foram favoráveis à PEC, com o tema unindo a sociedade “independentemente de sua posição político partidária”. Este forte endosso popular é corroborado pela opinião pública: 65% dos brasileiros são favoráveis ao fim da 6×1, sendo o apoio ainda maior entre os jovens de 16 a 24 anos (76%) e os desempregados (73%).  A deputada federal Erika Hilton que assumiu a frente da causa teve sua estratégia de comunicação alinhada à dinâmica das redes: a parlamentar engajou-se ativamente no X (antigo Twitter) rotulando a escala 6×1 como “desumana” e incentivando os usuários a cobrarem o apoio de parlamentares pela aprovação da PEC. Essa sinergia entre o movimento Vida Além do Trabalho e a ação política resultou em ganhos concretos de visibilidade: Erika Hilton chegou a ganhar cerca de 24 mil seguidores em uma semana devido ao tema, com um único post sobre a pauta alcançando 404 mil interações. Contudo, mesmo com as melhorias que a redução da jornada de trabalho promoveria às condições de vida da ampla maioria dos trabalhadores, os opositores alegam que esse novo regime teria consequências negativas para a economia e para os empregadores brasileiros. Segundo Hugo Motta (presidente da Câmara dos Deputados), a medida pode não ser viável, além de privilegiar apenas um lado do debate; o que por consequência atrasa e dificulta o processo de tramitação da PEC. Esse apoio popular à PEC faz referência a tendência proposta por Gorz (1995) em “Saindo da sociedade do trabalho assalariado”, em que há uma inversão de valores sobre o trabalho: o trabalhador deixa de vê-lo como o principal fator de realização individual, desejando uma redução do tempo de trabalho e a apropriação individual e coletiva do tempo. Desse modo, a insatisfação se exprimiu na assinatura de abaixo-assinado online contra a escala 6×1 e as articulações pelas redes sociais a favor da redução da jornada, propondo o aumento do tempo livre. Devido à grande mobilização, também foi organizado um plebiscito popular, sendo que uma das propostas é pelo fim dessa escala sem

Criminalização do Funk: Projeto de lei anti-Oruam

Criminalização do Funk: Projeto de lei anti-Oruam Em 22 de setembro de 2025 por GT de Políticas Digitais. Foto: freepik.  A repressão da cultura na periferia não é um fenômeno recente, contudo o projeto de lei “anti-Oruam” mobilizou as redes sociais, trazendo à tona questionamentos sobre  a criminalização do funk e da juventude negra e periférica. Ana Clara Luduvico e Giulia Ribeiro.  A criminalização do funk não é um fenômeno recente, mas sim a continuidade de um processo histórico de repressão às expressões culturais oriundas da periferia e da população negra no Brasil. Práticas e manifestações como a capoeira, o samba e o jazz, e, mais recentemente, o rap, o trap e o próprio funk, foram – e ainda são – alvo de estigmatização e controle por vias legais, morais ou policiais. Como observa Juliana Bragança, pesquisadora do funk e autora do livro Preso na Gaiola, “diversas outras manifestações culturais são marginalizadas, incluindo as religiões de matriz afro, como umbanda e candomblé, que são sistematicamente perseguidas até hoje”. Na mesma direção, Adriana Facina, em seu artigo Cidade do funk: expressões da diáspora negra nas favelas cariocas, ressalta que o gênero musical é alvo constante do poder público, da mídia corporativa e de setores da classe dominante, embora constitua uma dimensão inegável e vital da cultura urbana contemporânea.  O chamado Projeto de Lei nº 26/2025, conhecido como “lei anti-Oruam”, foi protocolado em 21 de janeiro de 2025 pela vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) na Câmara Municipal de São Paulo. A proposta busca proibir a contratação, pelo município, de shows, artistas e eventos abertos ao público que contenham expressões de apologia ao crime organizado ou ao uso de drogas. A associação direta entre o projeto e o cantor de trap e funk, Mauro Davi dos Santos, o Oruam, feita pela própria Vettorazzo, que chegou a criar um site utilizando seu nome e imagem, pode estar relacionada ao fato de ele ser filho de Marcinho VP, um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho.  No entanto, apesar das especulações e da estigmatização decorrente da trajetória de seu pai, não há qualquer comprovação de vínculo do trapper com a facção. Até o momento, ao menos doze capitais já contam com projetos semelhantes. Apesar de sua repercussão, o texto legislativo é sucinto e impreciso: não deixa claro se refere-se à drogas lícitas ou ilícitas, tampouco define quem seria responsável por caracterizar a “apologia”, conduta que, vale lembrar, já é tipificada no artigo 287 do Código Penal de 1940. O tema também ecoa debates antigos. Em 2017, por exemplo, o Senado rejeitou um projeto de lei que buscava criminalizar o funk, após mais de 21 mil assinaturas em apoio no portal E-Cidadania. Como analisa Danilo Cymrot, doutor em Direito Penal e Criminologia e autor do livro O Funk na Batida, o gênero vem sendo historicamente alvo de tentativas legislativas de censura. No caso específico do “proibidão”, estudos como os de Jairo Ferreira e Luísa Schenato Staldoni (2014) mostram que sua estética é marcada por jogos semânticos que exploram o imaginário social em torno do bandido ou do traficante, muitas vezes em tom de deboche ou denúncia da realidade vivida nas periferias. Assim, em entrevista para o Farol Brasil, Thiago Torres, mais conhecido como Chavoso da USP, sociólogo pela Universidade de São Paulo (USP) e criador de conteúdo, apresentou como a vinculação do nome do cantor, Oruam, ao projeto de lei é uma maneira de associar o projeto mais diretamente ao trapper, mascarando o modo como essa lei visa criminalizar as produções de artistas pretos e periféricos, invisibilizar as vivências das pessoas da periferia, além de deslegitimar essa arte e produções culturais. Articulado no movimento Funk, Torres (Chavoso da USP) viralizou recentemente nas redes sociais, em especial no Instagram e no TikTok, ao depor na CPI Contra os Pancadões, na Câmara Municipal de São Paulo. Em discussão com o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), Torres apresentou como a criminalização do funk e dos bailes de favela (pancadões), trata-se de um modo de criminalizar a juventude preta e periférica (que são os que mais produzem e consomem essas expressões culturais). Com quase quatro milhões de visualizações em seu perfil no Instagram, o sociólogo mostrou como as letras das músicas de funkeiros, trappers e rappers, são expressões da realidade na favela, que a alusão a entorpecentes e à criminalidade é resultado do que é visto cotidianamente nesses territórios, um problema estrutural. Assim, problemáticas estruturais de uma sociedade não podem ser invisibilizadas ao criminalizar uma expressão cultural que as expõe. Ademais, assim como propõe Castells (2009), a manutenção do poder está voltada ao controle do conhecimento e da narrativa, de modo que sob a ótica da criminalização do funk, faz-se possível pensar: o funk está nas mãos de quem? Quando apropriado, como por exemplo, nas campanhas políticas de candidatos como Eduardo Paes e Marcelo Crivella, o estilo musical é visto como positivo, contudo quando está nas mãos daqueles que efetivamente o produz e consome, é criminalizado.  Por fim, a criminalização do funk revela-se como uma das expressões mais evidentes do racismo estrutural, pois ao censurar e deslegitimar esse gênero musical, o Estado reforça a imagem de um “inimigo” a ser combatido, geralmente o homem negro e periférico.  Essa lógica seletiva de repressão torna-se ainda mais clara quando se observa a ausência de iniciativas semelhantes em relação ao sertanejo, gênero cujas letras frequentemente fazem apologia ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas.  A cantora Anitta, uma das principais representantes do funk no Brasil, já afirmou em discurso internacional que para transformar as letras do funk é preciso antes transformar a realidade de quem o produz, marcada por desigualdades históricas e profundas. Nesse sentido, apoiar o funk significa reconhecer seu papel como voz política, artística e cultural das favelas, seja consumindo suas produções, seja fortalecendo movimentos de resistência, como o Movimento Funk. Como cantam MCs Dollores e Galo: “Pra quem não conhece o funk, é com muito prazer que eu me apresento agora pra você. Eu sou a voz do morro, o

Redes sociais e o poder narrativo de Donald Trump: como o presidente dos EUA reconfigura o debate internacional online

Redes sociais e o poder narrativo de Donald Trump: como o presidente dos EUA reconfigura o debate internacional online Em 11 de agosto de 2025 por GT de Debate Público Online. Bruna Drudi Lacerda e Sarah Mariana  Ribeiro. Ao explorar as redes sociais como palco central de sua atuação política, Donald Trump não apenas mobiliza sua base interna, mas também impõe uma narrativa que ultrapassa fronteiras, influenciando agendas e discursos ao redor do mundo. Essa dinâmica evidencia como a lógica algorítmica das plataformas potencializa lideranças carismáticas e polarizadoras, transformando debates internacionais em arenas digitais onde a disputa por sentido se sobrepõe à busca por consensos. Os trens, metrôs e ônibus, principais meios de transporte para aqueles que vivenciam a vida corrida da grande São Paulo, são muitas vezes os lugares onde as pessoas acham um tempo para se atualizarem com as notícias do dia. Considerando a atual reconfiguração do ecossistema de comunicação, o acesso à informação chega cada vez mais rápido e fácil nas mãos dos usuários das redes sociais em seus smartphones, não dependendo mais de uma televisão ou papel físico para entenderem o que está acontecendo no sistema internacional. Contudo, embora as mídias sociais facilitem o acesso à informação, ainda é preciso ter um olhar atento ao que se recebe de notícia, principalmente em um ambiente caracterizado pela desinformação e disputas de narrativas. Direcionando o olhar para as redes sociais, é possível enxergar uma crescente polarização ideológica que busca controlar a narrativa de conflitos que vão além da esfera política, especialmente quando se pensa no oriente, ao observar a escalada do conflito entre Israel e Palestina. Nesse sentido, um líder político vem tendo sucesso em influenciar o debate político online global, trazendo o viés ocidental como centro de seu poder narrativo: Donald Trump. Representante de uma das maiores potências mundiais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, carrega consigo a urgência de manter o país em seu lugar de privilégio no sistema internacional. Os EUA possuem o que Joseph Nye (2004) define como smart power, a habilidade de juntar o hard power, capacidade de influência coercitiva e econômica, e o soft power, a influência indireta, feita por meio da disseminação de culturas e vieses, como o american way of life. Desse modo, Trump influencia seus seguidores com postagens tendenciosas e pronunciamentos não oficiais através de sua página do X, como quando anunciou o cessar-fogo entre Israel e Irã através de uma postagem, sendo desmentido horas depois pelo ministro das relações exteriores do Irã, Abbas Araghchi, utilizando a mesma rede social. O posicionamento adotado por Donald Trump é uma estratégia descrita como “firehouse of falsehood“, na tradução literal, uma mangueira de incêndio da falsidade. Esse termo nomeia um modelo de propaganda que tem como objetivo inundar o ambiente informativo com a repetição de narrativas falsas para confundir e desgastar o entendimento da verdade factual.  Esse tipo de ação evidencia um fenômeno cada vez mais comum: o enfraquecimento da credibilidade jornalística diante da ascensão de líderes políticos que se apropriam das redes para construir suas próprias versões dos fatos, como é o caso de Trump. De acordo com especialistas do The Washington Post – Fact Checker, alguns líderes políticos possuem a capacidade de minar os mecanismos de verificação jornalística, sobretudo ao insistirem publicamente em versões contraditórias dos acontecimentos.  Essa dinâmica, associada a outros fatores de transformação do ecossistema comunicacional, contribui para a crescente tendência de os leitores não verificarem a veracidade das informações que consomem, comportamento que pode ser explicado por diversos fatores, entre eles: a confiança depositada em figuras públicas vinculadas à esfera política, a falta de tempo para analisar criticamente o volume excessivo de notícias recebidas diariamente, e, em muitos casos, a dificuldade em identificar fontes de informação confiáveis, tudo isso associado a uma descrença da política e nas instituições democráticas. É importante destacar que a guerra entre Israel e Palestina não é o único episódio alvo de desinformação promovido pelo presidente dos Estados Unidos da América. Um estudo realizado pela Universidade Vanderbilt, em Nashville, Tennessee, revelou que, durante seu mandato, Donald Trump proferiu mais de trinta mil afirmações falsas, muitas das quais foram repetidas diversas vezes ao longo do tempo. A prática adotada pelo presidente evidencia o uso da estratégia da mangueira de incêndio da falsidade, configurando-se como um dos principais instrumentos retóricos utilizados por Trump para obscurecer a transmissão de informações verídicas. Diante do prestígio e da influência internacional dos Estados Unidos, quem ousaria contestar o líder da principal potência mundial da atualidade? Essa reflexão é essencial para conscientização do público acerca da importância de verificar a autenticidade das informações consumidas, o que os estudiosos chamam de “integridade da informação”. Deste modo, torna-se indispensável que, antes de aceitar uma notícia como verdadeira, sejam analisados tanto o contexto em que a declaração foi feita quanto a credibilidade e a eficiência do veículo de divulgação. Referências NYE, Joseph S. Soft power: the means to success in world politics. New York: Public Affairs, 2004. Trump anuncia cessar‑fogo entre Israel e Irã; chanceler iraniano nega acordo. Veja. São Paulo, 23 jun. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/trump-anuncia-cessar-fogo-entre-israel-e-ira/ Acesso em: 29 jul 2025. PILDES, Richard. Firehose of Falsehood: How Trump is Trying to Confuse the Public About the Election Outcome. Election Law Blog, 18 nov. 2020. Disponível em: https://electionlawblog.org/?p=118798. Acesso em: 3 ago. 2025. KESSLER, Glenn. The Fact Checker rose in an era of false claims. Falsehoods are now winning. The Washington Post, 31 jul. 2025. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/politics/2025/07/31/fact-checker-falsehoods-glenn-kessler/. Acesso em: 3 ago. 2025.